Sincopado: History Will Teach Us Nothing





















Fotografia: unsplash.com


de Cristina Rogeiro


Sting, de olhar sempre atento aos conflitos do mundo, regista os tempos em músicas intemporais mostrando, assim, como a história se repete. Lançou History Will Teach Us Nothing, em 1987, mas poderia ter sido há 2 semanas atrás. Dois anos antes, em 1985, escreveu Russians e hoje, 37 anos depois, volta a cantar este tema que nunca pensou voltar a ser relevante, após a Guerra Fria. Desta vez, fá-lo em honra dos guerreiros ucranianos que resistem e os guerreiros russos que protestam contra a guerra, sabendo o risco que correm.


As canções são uma forma de imortalizar sentimentos e pôr em palavras inquietações. Partindo desta premissa, Sting dá-nos uma sensação de conforto ao conseguir concretizar em palavras aquilo que todos sentimos, mas, ao mesmo tempo, deixa-nos inquietos pela realidade que representa. É um artista que raramente escreve sobre si e que, de pestana bem aberta, regista o mundo à sua volta em hinos para a humanidade.


“Sooner or later just like the world’s first day, sooner or later we will throw the past away” é o refrão de History Will Teach Us Nothing que interrompeu o sono na madrugada do dia de 24 de fevereiro. Depois veio em loop o verso “I hope the Russians love their children too”, do tema de 1985.


São duas grandes obras às quais vale a pena voltar. E, ao escutar, não só pais, mas também filhos poderão dizer “no meu tempo era (é) assim”.