Quem é o líder da oposição que, em ano de autárquicas, converte o partido num Big Brother Famosos?

É Rui Rio.

Texto de Joana Garrido Amorim

Licenciada em Economia na Faculdade de Economia do Porto

Google Imagens


Quem é o líder da oposição, que em ano de autárquicas, converte o partido num Big Brother Famosos?

É Rui Rio.

Rui Rio fez-se homem na Faculdade de Economia do Porto, no tempo em que se usavam camisas de cor, com gravatas de padrão e se acreditava que se podia voar para todo o lado que se quisesse. Estudou Economia numa faculdade muito pouco partidária, que se tem mantido assim, mas com grandes festas. Sendo este presidente da Associação de Estudantes, era quem organizava as grandes festas da FEP, com bebidas a custo de WallStreet nas melhores horas da noite. Rui Rio tinha de fechar a festa, por isso não se deitava antes das 8 da manhã. Era, portanto, um rapaz “dos copos” e um matemático estruturado.

Cresceu, fez um percurso profissional nas áreas das economias, tornou-se deputado, depois presidente da câmara do Porto e agora deputado e líder do partido da oposição (PSD) ao governo.

Rui Rio Hoje

Hoje tem 63 anos, já é uma enciclopédia. Anda de peito aberto, erguido e é empinado. Não sabe fazer nós de gravata. Precisa de ter um copo de vidro com água quando discursa, toca bateria e guitarra. Tem um sorriso de maroto, é muito engomadinho, gosta de mandar piadas e tem carisma, que é cada vez mais difícil encontrar em políticos portugueses.

Mas não é isto que distingue Rui Rio dos restantes políticos.

Não escrevo sobre favoritismos, mas sobre o que me tenho vindo a aperceber.

Rui Rio é dos poucos políticos que não valoriza formalidades e etiquetas e talvez seja isso que, em parte, o distancia da presença na esfera pública.


Gosta de naturalidade, por isso, é um simplório, que não significa um homem simples. Tem opiniões muito formuladas e é muito determinado com o que acredita, mas não sabe falar em público. Discursa como se estivesse a conversar, tem pouco ritmo e as frases não saem encadeadas. Por vezes passa a ideia de um discurso ultrapassado, pelo uso de algumas expressões antigas. Lembro-me de o ouvir falar de ferrovia e referir que “isto agora é uma vergonha, os comboios andam todos grafitados”. Este tipo de discurso tem vindo a afastá-lo dos jovens e não se mostra o mais persuasivo para os conquistar. É na campanha de rua que Rio se sente mais à vontade e é aí onde as pessoas criam mais empatia com ele, sem regras protocolares.

Muito seguro de si, Rui Rio tem gerado algumas polémicas dentro do PSD, das quais sai sempre por cima e quase sempre ileso. A mais recente fez paródia no RAP com os candidatos famosos que escolheu para as autárquicas, mas como esta já se contam algumas.

Este homem do Norte é duro de roer. De 1991 a 2001 foi deputado na Assembleia da República pelo Distrito do Porto e de 2002 a 2013 foi presidente da Câmara Municipal do Porto. No seu primeiro ano de eleição gerou polémica, com o presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, sobre os terrenos para a construção do atual Estádio do Dragão, marcado por insinuações como “O único Rio que nós respeitamos é o rio Douro, os outros não conseguem alagar-nos nem molhar-nos os pés.”- Pinto da Costa era presidente do FCP desde 1982, ameaçando-o de o enfrentar na próxima “luta eleitoral”. Rui Rio completa os 3 mandatos consecutivos na Câmara do Porto. Passado alguns anos é presidente do PSD enfrentando duas eleições diretas, a primeira contra Pedro Santana Lopes, de quem tinha sido 1º Vice-Presidente, a segunda contra Luís Montenegro, saindo vitorioso em ambas. Escolhe nomes polémicos para apresentar às autárquicas de 2021 e é o 1º líder do partido a dar um voto de confiança aos jovens.

A sua atividade preferida é cortar nos gastos. Gosta de ver as contas consolidadas. É dono de si próprio e concretiza o que ambiciona. Não vai de propósito a Lisboa para entrevistas, muito menos se identifica com as vestes da capital. Não desagrada a quem o apoia e gosta de olhar para o bem do país e não necessariamente para o que o partido acha como bem para o país. É muito terra a terra e mais humanista do que tende a parecer. É um tecnocrata de verdade, deixando jantares de comícios para se fechar em casa a estudar documentos para apresentar no dia seguinte. Gosta pouco de folclores, mas sabe muito bem dança-los. Double R, Rui Rio.