PSD, de CashCow a Star

Andar embrenhada em exames não ajuda. Não há tempo para nada e, se o há, rapidamente se torna tóxico e contaminado pelo pensamento do dever. O telemóvel fica reduzido a mais de metade. Pelas estatísticas, o relatório semanal disponível diz que passei menos 52% em frente do ecrã. Tem sido todos os dias o mesmo, olhar para papéis, ouvir os álbuns de Pinegrove, até ter que parar porque as músicas já saem de cor, e assim não dá. Quando me farto, vou ouvir uns artistas recentemente tocados do José Eduardo Martins, que me apaixonam à primeira música, questionando-me se Pinto Luz tem estas vibes musicais.


Apesar de menos tempo relativo em frente ao ecrã, a romaria do PSD tem-me tomado algum tempo, despertando-me várias vezes as notificações para votar em ou nalguém, não esquecendo as “Saudações Democráticas” finais.


Quem tem mais apoios nas redes? É militante do PSD? Não quer escrever uma frase de apoio ao candidato? Basta uma mensagem curta. “Eu apoio...”. Já há mais de três semanas que este tem sido o conteúdo do meu feed, e acho que está relativamente equilibrado para cada um dos lados.


As atitudes são muito valiosas, e quer se queira, quer não, os resultados deste sábado serão tanto mais favoráveis quantos menos forem os buracos a necessitar de serem tapados. As atitudes dos dois candidatos são muito diferentes. Rui Rio é o candidato que come bolinhos de bacalhau com uma mão e tem a outra no bolso. Está-se nas tintas se o faz em frente às câmaras, ou até mesmo durante um direto. Luís Montenegro é mais discreto. Olha para o bolinho de bacalhau, acha-o apetitoso. Como, não como, como, não. É melhor não. Agora não convém. Ou então engole rápido. Ufa, já foi.


Qual é o candidato que se quer a líder do PSD? Qual é o candidato que se quer ver a fazer oposição? O que é que a sociedade espera do PSD?


A sociedade espera muito, e ninguém duvida.


Fui mandatária distrital da juventude de Viana nas últimas legislativas, fiz campanha, e ouvi o que a sociedade espera do PSD, que, por sua vez, não está a conseguir responder. É que mesmo que a sociedade queira muito, quando não há resposta, a obra não nasce, e os menos capazes saem vitoriosos.


A Boston Consulting Group recorre a uma matriz que permite perceber, de forma muito objetiva, as melhores estratégias a adotar para penetrar no mercado. As variáveis de avaliação são duas. A participação relativa de mercado e a taxa de crescimento de mercado. O PSD aqui é uma Cash Cow. Tem uma participação relativa de mercado alta, que tem vindo a conquistar ao longo dos anos com os seus líderes e militantes. Por outro lado, tem uma taxa de crescimento de mercado baixa, que constitui uma oportunidade, porque há espaço no mercado para fazer crescer esta taxa, e chegar a Star, com a estratégia adequada.


Os portugueses esperam mais do PSD. Esperam um partido sólido, consistente, que privilegie o primado da pessoa humana, que acompanhe o progresso da sociedade, que pense a economia de forma sensata. As pessoas creem muito no PSD. Perdoam uma vez, perdoam duas, mas não perdoam muitas mais. Tem de ser agora, e não pode falhar. É preciso pegar no bolinho de bacalhau com todos os dedos, e saber mastigá-lo, seja à frente de quem for. Este sábado não te esqueças. E lá como manda a mensagem, “Saudações Democráticas”.


Joana Garrido Amorim