Para onde os EUA-Irão?

Deixem a espada da coercibilidade na mão da Justiça e empunhem duas armas mais poderosas. Numa mão, a informação e o conhecimento; no outro palmo mais cerrado, as energias renováveis, que nos fazem não estarmos aprisionados a uma região em permanente conflito

Crónica de Francisco Cordeiro de Araújo

Presidente da European Law Students Association Portugal.


Neste planeta azul que se quer verde, em que a extinção do Cretáceo-Paleogéneo foi em tempos uma grande ordem de despejo, insiste-se em folias agoniantes promovidas por altos governantes. O insano laranja, incluso no pujante Oval, controla a vultuosa esfera, manchando de vermelho, que de outrora fugira, o branco e a pureza que pretendera transparecer. Nesta gíria colorida, deste negro mundo, a arte abstrata confunde a massa cinzenta de todo o mortal.


Perante tanto fervor colorido e tédio, não seria mais oportuno falar do Ludopédio? E se decidissem outrora eliminar o Slimani por não cumprir com as clementes normas de fair-play? Não se tornaria tudo cognoscível? Lamentavelmente, Carlos Queiroz não é diplomata, faltas disciplinares não fazem descer de divisão, e no final não ganha sempre a Alemanha. Mais sensato é escutar o antigo e mui nobre Mister Lage, que em tempos em que ajuntamentos eram permitidos sob o vanguardista Sebastião José que olha o Tejo, advertiu para darmos atenção ao que realmente interessa. Afinal de contas, temos de nos lembrar que dentro deste obscuro campo estão a pontapear o esférico, aquele que habitamos. Se a final da Champions League será em Lisboa, este conflito joga-se em casa, com 7 biliões a assistir dentro de campo.


Muito complexo? Natural, estamos a falar da tensão EUA-Irão e dos episódios ocorridos no início deste entusiasmante ano civil, agora que o governo Iraniano pretende capturar o Presidente da maior potência militar mundial, com o apoio da Interpol. A geopolítica é complexa e como a história nos ensinou, não é uma ciência de régua e esquadro, algo que os gentlemen que dividiram o mundo árabe há 100 anos se esqueceram. Se o futebol não ajudou, vamos à sétima arte, porque esta a DGS autoriza.


Deixemo-nos de ingenuidades de quem ainda acredita nas películas da Disney, pois já percebemos que o Donald e o Pateta não são personagens diferentes. Nesta Verdade Inconveniente, todos querem ser o Iran man para fazerem um remake do filme Argo e triunfarem como Reagan enquanto ator principal. Talvez um Robin por estes bosques grite a plenos pulmões good morning Iran, e acorde uma nação que grita intemporalmente Death to America. Podemos neste mundo, simplesmente, comer, orar e amar? Ou será isto uma missão impossível?


Se o cinema não trouxe algum auxílio, provavelmente pode ser pela distopia em que vive o encéfalo do autor desta prosa. Eu não cresci no crescente fértil, vivi a minha puerícia no meio do Atlântico, onde abundavam bovinos e americanos, que em nada me arruinaram a infância. Coabitar numa Base Militar com os “américas” fez-me achar que o Mundo estava bem entregue, pois longe da velha doutrina de Monroe, os americanos eram os polícias do mundo, travando a banalidade do mal. Nessa ilha lilás, na qualidade de jovem imberbe, testemunhei a cimeira das Lajes, o que para mim eram apenas mais aviões e indivíduos elegantes da televisão, em tempos que a Morangomania ainda não existia, revelou-se o espelho de uma ira que levou a uma invasão de um país.


Mais tarde, numa epifania, descobri a Organização das Nações Unidas, o suposto messias do mundo moderno. Porém, por muito que seja o engenho, nenhum Engenheiro, nem mesmo o nosso, consegue executar um projeto com trolhas em greve. Como seria gracioso que os Estados, esses leviatãs soberanos, atribuíssem valor ao Direito Internacional. Sem negligenciar o princípio da subsidiariedade, poderiam aceitar uma verdadeira jurisdição universal, respeitando Tribunais Internacionais, criados para dirimir litígios e levar criminosos por esse mundo fora à justiça, quando estes violarem grosseiramente direitos humanos. No mundo utópico, quero um futuro em que os juízes não sejam drones.


Nesta aldeia global, de mentalidade paroquial, acredita-se que os valores ocidentais cabem dentro de proeminentes ogivas. Os ditos civilizados dependem imensuravelmente do solo disputado que não lhes pertence, mas onde as suas botas têm de pisar para alisar a mediocridade. Pratica-se política externa de consumo interno, unem-se povos ao encontrar inimigos comuns, instalam-se interesses económicos, onde devia florir o interesse da raça humana.


Deixem a espada da coercibilidade na mão da Justiça e empunhem duas armas mais poderosas. Numa mão, a informação e o conhecimento, com um peso ainda mais essencial num mundo digital, pois, como nos ensina Gene Sharp, para se construir democracias é preciso educar povos e não derrubar autocratas. Já o nosso semi-visionário poeta deixou gravado “E não menos por armas, que por letras”. No outro palmo mais cerrado, as energias renováveis, que nos fazem não estarmos aprisionados a uma região em permanente conflito. Querem salvar o planeta? Instalem daquelas ventoinhas, que segundo os rapazes de chapéu vermelho dão cancro, pois elas vão desvalorizar em 75% os países dos terroristas. As energias fósseis não sujam só aves marinhas e focas em derrames, sujam também democracias e intoxicam a atual geopolítica.


As crianças são o que mais belo temos neste planeta, mas para o bem delas, não as ponham a governar, se é para isso, mais vale pôr uma adolescente. Chamem a Greta, ela tem a resposta certa, “oiçam os especialistas”.