Obrigado União Europeia!

Imaginem o que podíamos conseguir se competíssemos em conjunto, da mesma forma que cooperamos

Texto de Cláudio Fonseca

Investigador Ciência Política e Podcaster


Um obrigado à União Europeia vinda de um europeísta, mais ainda que acha que a União só se concretizará em pleno de forma federalista, parece ser algo óbvio, ou que não apoquentará muitas mentes, dir-me-ão no fim.

Desde o início desta pandemia que ouvimos as palavras: “Estamos todos no mesmo barco!” Tal não deixa de ser uma mentira optimista, pois são vários os países do mundo que não receberam vacinas, ou um número que seja digno de menção e criado de esperança nacional, infelizmente. Tal como sempre disse no Podcast Conversa, existe o “nós” e os “outros”.


Felizmente, sou cidadão europeu e, felizmente, foi a União Europeia a tratar das distribuições das vacinas e criou um plano de vacinação europeu, já vimos o que aconteceu em alguns planos nacionais... Assim os cidadãos europeus foram tratados como tal: cidadãos europeus, vacinas encaixadas como bloco político e económico, o maior do mundo.


Imaginem o que podíamos conseguir se competíssemos em conjunto, da mesma forma que cooperamos, sim tenho saudades da hegemonia europeia no mundo, agora andamos a mexer com pinças nas Relações Internacionais que temos.


Esta semana, Ursula Von der Leyen assumiu a sua desilusão para com a produção das vacinas. Na mesma semana a França abriu mais dois locais de produção de vacina, assumindo igualmente o desejo de produzir uma vacina gaulesa, isto quando dependemos das farmacêuticas americanas, a Rússia continua com a sua Sputnik e a China a querer lançar uma segunda vacina sua. Recuso por completo a ideia de Clara Ferreira Alves que nos temos que nos submeter à vacina chinesa.


A União Europeia tem agora de ser capaz de adquirir mais as vacinas, apesar de estarmos a recolher informação diariamente, há sempre incertezas, os cientistas franceses avançam agora que quem já foi infectado, apenas precisa de tomar uma dose, conseguindo assim poupar vacinas, se tal for verdade a vacinação poderá ser mais rápida.


Para terminar, importa não agradecer à União Europeia apenas quando a catástrofe bate à porta, pois se temos médicos a transitar de Estado para Estado, ou de os doentes poderem ser acolhidos noutros Estados, deve-se a todos os anos e a todos os verdadeiros europeístas, que deram um pouco de si, em prol do bem comum, esse chavão que fica sempre bem.


Com esta pandemia dizemos que aprendemos a dar valor ao mais importante, que no fim valorizemos mais a União Europeia e que se calem os movimentos de extrema-esquerda e extrema-direita, que criticam o projecto europeu.


Parafraseando Jean-Claude Juncker, a União tem anos de experiência em ultrapassar crises, saindo sempre mais forte das mesmas.