O barulho dos corredores vs procura

Faz-se silêncio nos corredores, os professores habitam por lá mas nada indica que o ano vai começar. São poucos de qualquer forma. O teletrabalho veio para ficar – é o terceiro ano letivo manchado pela pandemia e nada fazia prever o que aconteceu e o que (ainda) está para acontecer.

de Beatriz Mirão

Os professores procuram então o alento que aí vem. As suas aulas – em formato misto – vieram para ficar. No último ano viram-se obrigados a manusear o Zoom, o Teams e todas as infinitas plataformas de forma a motivar as centenas de alunos que ficaram em casa, melhores amigos dos computadores e piores amigos da motivação para o estudo.

O inicio do processo de candidaturas dá o tiro de partida para a animação. São hoje mais 3000 vagas do que no ano anterior, um aumento de 6% bem reforçado pela cidades que albergam mais estudantes em Portugal – Lisboa e Porto. Muito defendidas pelo governo que reforça este aumento e o traduz no empenho dado em acreditar nas instuições. Mas estarão elas preparadas para lidar com a crescente pressão? E mais importante diria, estará o mercado empregador preparado para tantos graduados e respectivos cursos?

Antes demais alunos nos corredores implicam mais atenção por parte do corpo docente e não docente. Comecemos pelo mais simples, mais espaço nas salas. Ainda me lembro dos meus tempos de caloira, de como ficávamos tão apertados no auditório e dos alunos sentados nas escadas, a ouvir a aula como se nada fosse. Será que o mesmo não aconteceria nas restantes universidades? Como estarão as salas com mais alunos? E as já conhecidas sobrelotadas secreterias das faculdades?

Entretanto mais de 250 instituições universitárias – entre universidades e politécnicos – oferecem as mais de 1600 licenciaturas. Questiono-me sempre que vejo este tipo de número: estará o mercado de trabalho a considerar 1600 cursos, muitos dos quais idênticos entre si e muito possivelmente desatualizados da realidade atual?

Não digo que não seja excelete crescermos nas métricas universitárias, especialmente quando estamos sobre a pressão de países mais desenvolvidos do que nós. Especialmente quando temos o grande mosntro da UE a pressionar-nos. Mas o crescimento sustentado de alunos têm que surgir apoiado nestes dois tópicos – procura no mercado de trabalho e preparação das instutuições. Desconfio que nenhum deles esteja a ser considerado na sua totalidade – será que iremos precisaremos, num só ano, de mais de 50 mil gestores?


São questões para o ar que vou enviando, sem dados por detrás, porque o que realmente vejo foi o quão dificil foi encontrar o primeiro emprego na área. O quão intensa foi a competição pela mesma vaga e o quão limitadas eram as ofertas.

De qualquer forma, nem todos devemos seguir o mesmo caminho. As universidades são importantes reservas de conhecimento mas não são o caminho para todos nós. A ideia generalizada que temos sobre este tópico não permite o crescimento do país na colmatação de cargos que impliquem cursos profissionais e não universitários.

Assim sendo, para que este seja mesmo um momento de viragem e de crescimento sustentado, atingindo todas as metas que o Governo deseja, imagino que o inicio e o fim da cadeia de valor devam ser observados com mais atenção. Não estaremos nós a pressionar entradas não justificadas, e talvez, não necessárias, nas instituições universitárias?