Natureza vs Tecnologia


Engenheiros e cientistas têm dedicado anos ao estudo dos exemplos da Natureza de modo a compreender do seu funcionamento e tirando inspiração para soluções adaptáveis ao nosso dia-a-dia que sejam sustentáveis e superiores em relação às que são utilizadas atualmente.




Crónica de Inês Dias

Estudante da NOVA-FCT


Estamos habituados a uma constante evolução tecnológica à nossa volta. Sempre à espera do próximo modelo que é mais completo, mais rápido, mais bonito para substituir aquele que já temos. Nesse ponto, a natureza tem já milhões de anos de avanço. Através da seleção natural é possível a ocorrência de sucessivos progressos, resultando em processos e elementos com admirável eficiência, provados pelo teste do tempo. Engenheiros e cientistas têm dedicado anos ao estudo destes exemplos de modo a compreender do seu funcionamento e tirando inspiração para soluções adaptáveis ao nosso dia-a-dia que sejam sustentáveis e superiores em relação às que são utilizadas atualmente.


Esta área da ciência tem como nome biomimética e, embora este termo tenha aparecido apenas em 1969, existem ao longo da história exemplos claros da sua prática. Um dos primeiros exemplos que nos passa logo pela cabeça será, certamente, como Leonardo da Vinci utilizou as asas dos morcegos e dos pássaros como influência para o desenho da sua máquina voadora. E como, usando a mesma fonte de inspiração, os irmãos Wright conseguiram desenvolver o primeiro avião motorizado, permitindo à humanidade entrar numa nova era. Um outro exemplo onde este conceito é claramente usado é no desenvolvimento do padrão de camuflagem. Ao observar a adaptação das cores dos animais ao seu meio ambiente com o intuito de se manterem indetetáveis, Sir Edward Poulton sugeriu que a mesma tecnologia fosse utilizada em humanos. Estes padrões têm sido melhorados ao longo dos anos, mas sempre com a mesma fonte de inspiração.


Recentemente, esta área permitiu o desenvolvimento de invenções promissoras e fascinantes, como o uso das estruturas das folhas de lótus e o uso das estruturas das asas das borboletas Morpho. No caso das folhas de lótus, estas têm a particularidade interessante de não absorverem água. Em vez disso, ao ser colocada nestas superfícies, a água irá apenas agregar-se numa gota, permitindo que escorregue pela folha sem a molhar na verdade. Tal é possível devido a estrutura das folhas que, embora pareçam lisas, têm uma micro rugosidade que minimiza o contacto que a água tem com a superfície. Estas estruturas são muito utilizadas para conceder características de impermeabilidade e autolimpeza, tendo já sido utilizadas em tecidos, painéis solares, carros, entre outros.


Embora seja difícil imaginar, as cores vibrantes observadas nas asas das borboletas não são obtidas através de pigmentos, mas sim através de microestruturas que dispersam a luz permitindo a obtenção de uma cor multidimensional. É um fenómeno semelhante à formação de um arco-íris, que apenas se forma quando os raios de sol são dispersos pelas gotas de chuvas, separando-os nas várias cores. Estas estruturas permitem a obtenção de cores mais ricas, mais cativantes de maior dimensão. Uma das empresas a implementar este tipo de estruturas foi a Lexus, que adicionou ao seu catálogo a cor Structural Blue, obtido através de uma estrutura de 7 camadas criando um azul nunca visto.


Embora os conceitos de natureza e tecnologia pareçam por vezes tão distantes, estes são apenas alguns exemplos em como as linhas entre estes não são assim tão definidas. Muitas das soluções que procuramos já foram criadas e só precisam de ser descobertas.



A autora disponibiliza as seguintes ligações se quiseres saber mais sobre os temas abordados na crónica:


https://ehistory.osu.edu/exhibitions/biomimicry-a-history


https://nanografi.com/blog/lotus-effect-in-nanotechnology


https://www.lexus.eu/discover-lexus/lexus-news/lc-structural-blue