Fita Curta - Animação e os Mil Mundos


Os filmes desta semana vêm do mundo da animação, mas desengane-se quem acha que a animação é sinónimo de "infantil". A seleção inclui o "Túmulo dos Pirilampos" de Isao Takahata, "Coco" de Adrian Molina, Lee Unkrich, "A Viagem de Shihiro" de Hayao Miyazaki e "O Fantástico Sr. Raposo" , de Wes Anderson.

Seleção de Afonso Abecasis



Animação: uma palavra onde cabem mil mundos – repletos de cores, ideias, sensações e emoções que nos transportam para lá da nossa realidade e que, ao mesmo tempo, conseguem ser tão humanos quanto a nossa humanidade. Desde os aspetos mais mundanos do dia-a-dia, representados numa forma ligeira e cómica, aos assuntos mais políticos, filosóficos ou profundos, a animação é um meio que se presta à diversidade quando se trata daquilo em que se baseiam as nossas vidas: em histórias – aquelas que contamos, ouvimos e sentimos.


Desde a Pixar aos Estúdios Ghibli, da Disney à Dreamworks, passando pela liberdade criativa de inúmeros realizadores, esta é uma linguagem universal – baseada no desenho e na imaginação que, na sua essência, é muito mais do que um simples cartoon.



Túmulo dos Pirilampos (1988)

De Isao Takahata


A prova de que a animação consegue ser verdadeiramente real, memorável e aterrorizante. A história segue a viagem de dois irmãos, Seita e Setsuko, enquanto estes tentam sobreviver aos terríveis bombardeamentos no Japão, durante 1945. Considerado um dos melhores filmes anti-guerra de todos os tempos, o seu impacto deve-se a uma Guerra que nos é descrita pela perspetiva mais inocente de todas: a de uma criança.



Coco (2017)

De Adrian Molina e Lee Unkrich



"Coco" descreve-nos a história dum rapaz – Miguel Riviera - que quer ser músico e que, duma forma surpreendente, acaba a conviver com esqueletos vivos no mundo dos mortos. Família e legado são as bases desta viagem, onde Miguel tenta perseguir o seu sonho, apesar da oposição dos seus familiares, e onde várias narrativas entram em choque sobre o que realmente aconteceu ao seu trisavô.




A Viagem de Chihiro (2001)

De Hayao Miyazaki


Com as suas mil e uma razões, “A Viagem de Chihiro” é uma das maiores obras-primas de Miyazaki, dos Estúdios Ghibli e da animação, bem como um dos melhores filmes já alguma vez imaginados. Aqui, a criatividade, a generosidade e o amor ao detalhe não têm fronteiras. Esta é a odisseia duma rapariga de 10 anos – Chihiro – que vê os seus pais transformados em porcos e a sua realidade alterada, agora envolta no mundo dos espíritos. Uma luta pela liberdade e pela identidade, pela procura de saber quem somos e o que nos move.



Fantastic Mr. Fox (2009)

De Wes Anderson


“Fantastic Mr. Fox” é um filme mais peculiar, afastado da animação tradicional e inserido num estilo mais clássico – o stop motion. Inspirado na obra de Roald Dahl, do mesmo nome, aqui os animais são mais maturos e adultos, sem nunca deixar aquilo que os torna característicos. Tudo gira à volta dum vale, dominado por três homens – Boggis, Bunce e Bean – e dum ladrão reformado – Mr. Fox – que decide dar um último golpe. No entanto, o plano não corre como esperado e uma guerra é declarada.