As contas dos três grandes

Por último, farei a análise às contas da Sport Lisboa e Benfica - Futebol SAD. Os encarnados apresentaram um resultado líquido negativo de 17,4 milhões de euros após uma temporada em que registaram um resultado positivo de 41,7 milhões.

de Joaquim Couto



Que causas justificaram esta queda? No que toca a rendimentos operacionais (sem passes de jogadores) as águias sofreram uma queda acentuada de 140 para 94 milhões de euros. A faturação com a rubrica “Media TV” desceu de 87,3 para 65,7 milhões, sendo esta descida explicada pelo falhanço desportivo no apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Ademais, é de destacar a queda total das receitas de “Matchday”, que passaram a ser quase nulas pelo facto de os jogos se terem realizado à porta fechada.


Quanto a ganhos com atletas, verificou-se igualmente um decréscimo, de 145,2 milhões para 100 milhões de euros. Para estes 100 milhões em muito contribuiu a transferência milionária do defesa central Rúben Dias para o Manchester City.


Os gastos do clube da Luz (sem transações de atletas) até conheceram uma pequena redução de 211,7 para 206,7 milhões de euros. Esta prende-se fundamentalmente com a redução dos fornecimentos e serviços externos, em parte explicada por menores encargos na realização dos jogos em casa (sem público). Os gastos com pessoal aumentaram, consequência de uma forte aposta no plantel de futebol. As SADs têm ainda a registar um elevado montante de amortizações, fruto do método de amortização dos passes dos atletas explicado na primeira parte da rubrica.


Até aqui, é possível perceber que o mau resultado financeiro em 20/21 se deveu principalmente a três fatores: a ausência na Liga dos Campeões, prova que começa a ganhar contornos financeiros indispensáveis para os clubes portugueses, a um menor encaixe financeiro por parte dos encarnados no que diz respeito a transferências de jogadores e também ao facto de os jogos terem decorrido à porta fechada, o que significou uma queda quase total das receitas associadas aos dias de jogo.

No ativo benfiquista, importa realçar que se verifica um aumento do valor do plantel devido à contratação de jogadores para o reforçar. O passivo também aumentou bastante (mais do que o ativo) devido a um aumento dos empréstimos obtidos correntes. Este aumento do empréstimo obtido deve-se, em grande medida, a um empréstimo obrigacionista contraído pela SAD.


Por fim, e para terminar a análise, sublinha-se que a SAD do Benfica é a única que apresenta capitais próprios positivos.


Concluída a última parte desta rubrica, resta-me realçar que o objetivo pretendido com este exercício foi uma análise imparcial à saúde financeira dos três maiores clubes portugueses, explicando pelo meio alguns termos técnicos. Procurei fazer chegar as contas dos três grandes a todos aqueles que, tal como eu, gostam de futebol e desta informação numa linguagem mais corrente.