Arte em nome da consciência crítica: regressa o Festival Política


Durante quatro dias trata-se o tema “Fronteiras” na Avenida da Liberdade. Segundo a organização, fronteiras neste âmbito são “entendidas como barreiras físicas, psicológicas e políticas, que se apresentam como entraves à inclusão das pessoas no território ou na comunidade”.


Crónica de Maria Leonor Carapuço



É já esta quinta-feira, dia 22 de abril, que começa a nova edição do Festival Política, pelo quinto ano consecutivo recebido pelo Cinema São Jorge, em Lisboa. O evento, que se inclui na programação do “Abril na Rua” da EGEAC, é gratuito e estará de portas abertas até domingo, dia 25 de abril.


Durante quatro dias trata-se o tema “Fronteiras” na Avenida da Liberdade. Segundo a organização, fronteiras neste âmbito são “entendidas como barreiras físicas, psicológicas e políticas, que se apresentam como entraves à inclusão das pessoas no território ou na comunidade”.


O festival procura abordar o tema de diferentes perspetivas e formatos, ou não é por acaso que se chama “Festival Política”. Indo além dos debates e conversas esperados de um evento político, o festival usa a arte como principal recurso. Não é de espantar, portanto, que neste evento sobre política e fronteiras se incluam performances, sessões de cinema, espetáculos e workshops.



Fonte: Observador

Os destaques recaem sobre três propostas desenvolvidas especialmente para esta edição: o stand-up sobre racismo e direitos humanos do humorista Carlos Pereira; o solo do encenador, dramaturgo, cenógrafo e intérprete André Murraças, “Fronteiras”; e ainda o espetáculo de “Homens que são como fronteiras invadidas”, de Valério Romão e José Anjos, uma reflexão sobre os limites que a pandemia nos veio impor a título pessoal.


Como é habitual, o cinema continua a ser uma das expressões com maior destaque no Festival. Este ano, são exibidos 18 filmes que retratam realidades tão diferentes como as fronteiras da cidade de Lisboa, os conflitos sociais que atravessam a Europa, a ascensão dos nacionalismos e as migrações.


Para ultrapassar os constrangimentos pandémicos, a programação do festival passa também para o formato online. O clássico Cara-a-Cara com Deputados, suspenso o ano passado por questões sanitárias, regressa este ano via videoconferência, permitindo assim o encontro entre cidadãos e deputados representantes dos partidos eleitos para a Assembleia da República. Também terão lugar online os workshops “O que é a Democracia e como posso participar?” e o workshop de escrita criativa que tem por base o livro “Enciclopédia dos Migrantes”. A inscrição para estas três atividades online deve ser feita por email (participa.politica@gmail.com).


De forma a garantir a acessibilidade e inclusão, os conteúdos são acompanhados por tradução em Língua Gestual Portuguesa. Todas as sessões de cinema são legendadas em português, incluindo as de língua portuguesa. Os bilhetes para cada dia estão disponíveis apenas no próprio dia, na bilheteira do Cinema São Jorge.


A programação do festival é muito rica: aconselhamos a consulta do Facebook e Instagram do evento para saberes mais, bem como (bónus!) para assistires a algumas das conversas que já foram desenvolvidas sobre o tema “Fronteiras” nestas redes sociais. Relembramos ainda que o Festival também terá uma edição este ano em Braga, entre 6 e 8 de Maio, no Centro de Juventude.