A economia portuguesa e a 1ª república

Os países que nos forneciam certos bens, tal como o carvão, entraram em guerra e esses abastecimentos foram afetados. Mais escassez de bens, maior o preço, logo: mais inflação. Mas, não só isto explica a inflação. Os governos republicanos ao levarem Portugal para a grande guerra foram obrigados a esforços financeiros redobrados

Texto de Joaquim Couto

Rúbrica Economia Portuguesa

Como explicado no texto anterior desta rúbrica, a economia portuguesa atrasou-se no século XIX e as reformas do período do Fontismo não foram eficientes a contrariar essa tendência.


Chegamos ao século XX bastante atrasados em relação à “concorrência” do norte e centro da Europa. A nossa economia era essencialmente agrícola, éramos pouco abertos ao exterior e a instrução da população portuguesa era muito baixa. (a taxa de analfabetismo rondava os 75% em 1910).


Ora, é neste cenário que temos uma mudança política em 1910. A implantação da república trouxe consigo uma aposta na educação com vista a combater o analfabetismo elevado entre os portugueses.


Durante este período, o desempenho da economia portuguesa não foi muito favorável.

Um dos fatores mais consensuais que pode ter ajudado a condicionar o crescimento português foi a forte instabilidade política que se viveu (mais de 40 governos em 16 anos…).


Podemos, também, apontar a inflação, isto é, uma subida contínua e generalizada dos preços, como uma possível causa. Viviam-se tempos de fechamento das economias que culminaria na 1ª guerra mundial. Os países que nos forneciam certos bens, tal como o carvão, entraram em guerra e esses abastecimentos foram afetados. Mais escassez de bens, maior o preço, logo: mais inflação. Mas, não só isto explica a inflação. Os governos republicanos ao levarem Portugal para a grande guerra foram obrigados a esforços financeiros redobrados. Isto levou a elevados défices públicos. Portugal, como não tinha credibilidade para pedir emprestado a credores externos, fruto da reestruturação da dívida de 1902, teve de “imprimir moeda” para pagar o défice. Ou seja, o governo pediu diretamente emprestado ao Banco de Portugal. Isto aumentou a moeda em circulação e, por consequência, os preços.


Refira-se ainda que a partir de 1918 se assistiu a uma fuga de capitais do país devido à forte depreciação do escudo face a outras moedas.


Contudo, não perdemos mais terreno em relação aos países industrializados. Para estas economias esta fase também não foi nada boa devido às consequências nefastas da primeira guerra mundial.