A coerência invisível


Pode considerar-se que num evento que teve (literalmente) como alvos vários membros do Governo e os presidentes da Câmara Municipal de Lisboa e Cascais (e onde se estranha a ausência de André Ventura), este foi um grande tiro no pé e um péssimo exemplo.

Fonte: SIC Notícias

Crónica de Gonçalo Ferreira



O passado dia 12 de junho (Sábado) – data das comemorações populares do Santo António em Lisboa -, ficou marcado pela organização do “Arraial Liberal” organizado pela Iniciativa Liberal (IL) em Santos - Lisboa.


Recorde-se que esta atividade organizada sob o véu de “evento politico” obtivera um parecer desfavorável por parte das entidades de Saúde que, atendendo à situação epidemiológica na cidade de Lisboa, aconselhavam o adiamento do evento.


Para além disso, era ainda referido no dito parecer que no recinto do evento deveriam ser cumpridas normas como a lotação máxima de uma pessoa por oito metros quadrados (com lugares sentados); o distanciamento mínimo de dois metros entre as pessoas; e ainda, o uso de máscara durante todo o tempo.


Mesmo assim, a IL – que outrora tomou a dianteira das criticas à organização de outros “eventos políticos” como a Festa do Avante (onde não consta que tenha havido qualquer desrespeito face às medidas sanitárias recomendadas) -, não só decidiu levar por diante a organização do arraial, como, pelas imagens que nos foram dadas a conhecer, decidiram ignorar as recomendações sanitárias emitidas para a sua festividade.


Pode considerar-se que num evento que teve (literalmente) como alvos vários membros do Governo e os presidentes da Câmara Municipal de Lisboa e Cascais (e onde se estranha a ausência de André Ventura – esse sim, um “alvo” para qualquer Liberal), este foi um grande tiro no pé e um péssimo exemplo.


Um ano depois do seu presidente e deputado único ter criticado a realização da festa do avante por isso se tratar de “desigualdade pura e dura” e por haver regras “para os portugueses normais” e outras “para os privilegiados ou para quem tem influência sobre o Governo”, parece não ser só a “mão invisível” que pauta a atuação da IL, mas também invisível parece ser a sua coerência.