A balança comercial portuguesa

Já a nossa balança bens, como dito acima, tem sido sempre negativa (só durante a 2ªguerra mundial essa tendência se inverteu)

de Joaquim Couto



Nesta rúbrica de economia portuguesa vamos abordar uma parte comércio internacional português, ou seja, aquilo que Portugal exporta, importa e também o saldo disso. Um dado relevante para o início da exposição é o do Grau de abertura ao exterior da economia portuguesa. Este indicador obtido pela fórmula matemática (Exportações+ Importações)/PIB dá-nos o peso do comércio externo na economia. Esse peso em Portugal tem vindo a aumentar. Em 1995 era de 62,63% (segundo dados da Pordata) e em 2018 de 89,14%, verificando-se deste modo uma tendência de aumento da preponderância do comércio externo na nossa economia.


De seguida é importante analisar a balança comercial (que agrega bens e serviços), primeiro no geral depois em particular, tanto quanto a setores em específico como a países com quem temos comércio. A balança de bens e serviços juntamente com a balança de rendimento primário e a de rendimento secundário (segundo a classificação do Pordata (existem outras designações)) formam a balança corrente. Esta juntamente com a balança financeira e a balança de capital formam a balança de pagamentos.


Nos últimos 25 anos esta balança apresentou valores negativos (em % do PIB) até 2011. Em 2012 teve saldo nulo. A partir de 2013 assumiu valores positivos e 2020, segundo dados provisórios voltará a terrenos negativos. Para esta tendência de melhoramento do saldo da balança comercial contribuíram os serviços visto que o saldo da balança de bens é cronicamente negativo. Este melhoramento dos serviços deveu-se ao crescimento de dois setores de serviços nos últimos 25 anos: o setor dos “transportes” e o setor das “Viagens e turismo”. Este último setor teve um crescimento de tal maneira grande que só entre 2012 e 2019 mais do que duplicou o seu valor em termos absolutos (8605,5 para 18291 milhões de euros). Em 2020 devido à pandemia o turismo teve uma queda abrupta (para 7753 milhões) o que ajuda a explicar a queda da balança de bens e serviços no seu todo.


Dentro dos serviços podemos identificar como principal exportador o Reino Unido, seguido por França e Alemanha.


Entre os serviços que mais importámos conta-se “Viagens e turismo” e “Transportes” nas duas primeiras posições mas os valores das importações são mais baixas do que as exportações pelo que são setores onde temos vantagem em exportar. O país de onde importámos mais serviços é a vizinha Espanha.


Já a nossa balança bens, como dito acima, tem sido sempre negativa (só durante a 2ªguerra mundial essa tendência se inverteu). A principal categoria de bens exportados são “Minérios e metais”, seguida por “Máquinas”, “Material de transporte” e também “Químicos e borrachas”. Exportámos mais para Espanha e, de seguida para França e Alemanha.

Quanto aos bens que importámos temos a liderar os “Minérios e metais” seguida de “Máquinas” e “Material de transporte” precisamente as mesmas categorias que lideram as exportações. Mas o volume de importações é superior ao das exportações o que demonstra que estas categorias contribuem para o saldo deficitário. Aqui encontrámos um problema do comércio internacional português da atualidade, o facto de Portugal não ter no topo das suas exportações setores que contribuam para melhorar as contas externas da economia portuguesa. O país de onde mais importámos bens é a Espanha, o que demonstra que os espanhóis são atualmente o nosso principal parceiro comercial.


Em suma, este artigo pretende dar uma visão geral das relações económicas de Portugal com o exterior. É importante relevar as seguintes ideias: o melhoramento da balança comercial deveu-se na última década sobretudo ao turismo, a balança de bens continua em terrenos negativos e os setores onde mais exportámos bens são setores com um contributo negativo para o saldo da balança. Para uma análise mais detalhada destes factos é importante bases de dados como a PORDATA ou o INE.